“Não existe reconciliação sem o reconhecimento explícito dos problemas”, Afirma Lourenço do Rosário

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O académico moçambicano alerta que a verdadeira unidade nacional exige a identificação das causas profundas das divergências, rejeitando soluções superficiais que apenas privilegiam a aparência de consenso.

A reconciliação nacional em Moçambique só será efetiva se houver um reconhecimento explícito dos conflitos existentes e um enfrentamento direto das suas raízes. O aviso foi deixado pelo Professor Lourenço do Rosário durante uma mesa-redonda sobre Reconciliação e Unidade Nacional, no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo e ouvido pelo Jornal Imperdível.

Para o académico, é fundamental distinguir o conceito de unidade nacional de unicidade. Lourenço do Rosário defende que a coesão do Estado não deve ser construída através da eliminação das diferenças, mas sim pela integração das mesmas num projeto comum. A unidade, sublinha, deve nascer da aceitação da diversidade social, cultural e histórica que caracteriza o país, e nunca da sua negação.

O professor recordou que as tensões em Moçambique são anteriores ao período colonial e foram agravadas pela ocupação portuguesa através de políticas de divisão étnica. Segundo a sua análise:

• As tensões não foram totalmente resolvidas após a independência.
• Os períodos de armistício e estabilidade relativa têm-se revelado frágeis.
• A recorrência de conflitos demonstra que as soluções adotadas no passado foram insuficientes e carecem de uma abordagem mais profunda.

Lourenço do Rosário encara o atual Diálogo Nacional Inclusivo como uma nova oportunidade para enfrentar a conflitualidade latente no país. Contudo, o sucesso deste processo não dependerá apenas do formato, mas sim de três pilares essenciais:
• Clareza dos objetivos;
• Honestidade no debate;
• Capacidade de aprender com os erros de iniciativas anteriores.

O académico concluiu a sua intervenção apelando a uma avaliação rigorosa e a um exercício de memória e responsabilidade. Sem este esforço, adverte, corre-se o risco de transformar o atual processo em “mais uma oportunidade perdida” no caminho para a paz e unidade nacional.

Imagem: DR

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