EN1 não precisa de discurso precisa de decisões

admin

O empresário e analista Yassin Amuji considera que a persistente insegurança rodoviária na Estrada Nacional Número Um (EN1) não se resolve com discursos nem com relatórios institucionais, mas com controlo efectivo e decisões políticas firmes.

Na sua análise, Amuji critica a forma como os acidentes são tratados em Moçambique, apontando que, após cada tragédia, multiplicam-se conferências e declarações públicas, sem que haja mudanças estruturais no modelo de fiscalização. Para o analista, o problema não é espiritual nem cultural, mas essencialmente humano e institucional.

Segundo Yassin Amuji, o actual sistema de fiscalização falhou e continuar a apostar no reforço de agentes ou na colocação de mais sinais de limite de velocidade, sem recurso a tecnologia, apenas cria novas oportunidades de corrupção. Defende, por isso, a implementação de mecanismos de controlo automático, capazes de reduzir a intervenção humana e garantir maior eficácia.

Entre as propostas apresentadas, destaca-se a obrigatoriedade de todos os autocarros de transporte público circularem com sistemas de GPS, câmaras internas e externas e dispositivos de registo de velocidade, tempo de condução e comportamento dos motoristas. Estas medidas, sublinha, não devem ser encaradas como projectos-piloto, mas como condições legais para operar.

Amuji rejeita ainda o argumento da falta de recursos financeiros, defendendo a criação de uma taxa técnica obrigatória para os transportadores, proporcional ao número de viaturas, destinada a financiar uma sala nacional de controlo, simples, funcional e activa 24 horas por dia.

Na sua visão, um sistema automático permitiria detectar imediatamente excessos de velocidade, emitir alertas e aplicar multas directamente às empresas, eliminando telefonemas, favores e decisões discricionárias. Com a responsabilidade a tornar-se financeira e rastreável, as empresas seriam forçadas a investir na formação dos motoristas e no cumprimento da lei.

Para Yassin Amuji, enquanto se continuar a organizar cerimónias para apresentar relatórios ou a mudar nomes de instituições, sem enfrentar o problema de fundo, a EN1 continuará perigosa. O analista defende que Moçambique precisa de controlo real, coragem política e determinação para enfrentar interesses instalados.

Imagem: Yassin Amuji

Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *