Governo e FEMATRO garantem subsídios aos transportadores para travar paralisação em Moçambique

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A crise dos transportes que paralisou as principais cidades moçambicanas desde ontem já tem uma solução “meio-termo”. Em conferência de imprensa, o Governo, através do Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, e a FEMATRO, liderada por Castigo Nhamane, anunciaram, esta sexta-feira, 8 de maio, um pacote de medidas que inclui a distribuição de autocarros e um sistema de compensações financeiras para os operadores.

O Presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO), Castigo Nhamane, admitiu que o acordo não satisfaz a classe a 100%, mas é o necessário para o momento.

“É impossível agradar a todos. Esta é a medida que se encontrou, somos moçambicanos e vamos ver o que dá nos próximos tempos”, afirmou Nhamane.

O líder associativo apelou ainda ao fim dos “comportamentos desviantes” e da especulação de tarifas, reforçando que os benefícios negociados, como a revisão das tarifas interdistritais e interprovinciais, vão abranger todos os transportadores, independentemente de estarem ou não filiados em associações.

Para aliviar a pressão imediata no Grande Maputo, o Ministro João Matlombe confirmou a disponibilização de 190 novos autocarros, dos quais 40 são destinados ao transporte escolar, beneficiando os municípios de: Maputo, Matola, Boane e Marracuene.

Quanto ao pagamento das compensações, o Governo assegura que o processo será feito em duas etapas. A primeira fase baseia-se nos dados atuais da FEMATRO. Já a segunda fase será marcada pela digitalização do sistema, uma medida que visa garantir que o dinheiro do erário público seja usado de forma “justa e transparente”.

Um dos pontos de maior tensão — a situação dos transportadores não licenciados — também foi abordado. O Ministro Matlombe revelou que existe uma “janela de três meses” para que estes operadores se formalizem e adiram ao sistema digitalizado.

“Ninguém está fora”, garantiu o Ministro, sublinhando que o objectivo é formalizar o sector para que todos possam beneficiar do modelo de compensação, evitando o prejuízo tanto para quem transporta quanto para o passageiro.

A paralisação dos “chapas” deixou milhares de moçambicanos a pé, gerando caos nas paragens e incerteza sobre o custo de vida. Este anúncio surge como uma tentativa de estabilizar o setor antes que a crise social se agrave, colocando a digitalização e a fiscalização como as novas armas do Governo para organizar o transporte semidirecto e público no país.

Imagem: DR

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