O investimento colossal em 1.100 viaturas ao longo de duas décadas não resolveu o drama dos passageiros. A maioria da frota está imobilizada por falta de manutenção e gestão eficiente.
O sector dos transportes em Moçambique continua a ser um dos maiores desafios para a mobilidade urbana. De acordo com uma investigação detalhada da TV Sucesso, o Estado moçambicano terá desembolsado cerca de 4,2 mil milhões de meticais para a compra de aproximadamente 1.100 autocarros nos últimos 22 anos. No entanto, o cenário nas paragens de Maputo e de outras capitais provinciais é de desolação: a grande maioria desta frota já não está em operação.
A estratégia de importação de viaturas atravessou diferentes mandatos, mas o problema da sustentabilidade parece ser crónico.
Durante os 10 anos de governação de Armando Guebuza, o Executivo adquiriu mais de 400 autocarros destinados ao transporte público. O esforço financeiro continuou no mandato de Filipe Nyusi, onde o número de novas unidades ultrapassou as 300 viaturas.
Mais recentemente, o actual Presidente, Daniel Chapo, seguiu a mesma linha de actuação. Em cerca de um ano e meio de governação, já foram adquiridos mais de 300 autocarros para tentar responder à crise de transporte que fustiga as principais cidades do país.
Apesar de o investimento acumulado ser astronómico, o cidadão comum não sente o alívio esperado. Nas “horas de ponta”, as bichas permanecem quilométricas e o recurso aos “chapas” ou aos informais “caixas abertas” continua a ser a única alternativa para milhares de moçambicanos que tentam chegar aos seus postos de trabalho ou escolas.
A investigação da TV Sucesso revela que o problema não reside apenas na compra, mas na incapacidade de manter os meios operacionais.
A falta de peças de reposição, a gestão deficiente das empresas públicas de transporte e o estado precário das vias de acesso aceleram o abate destas viaturas. Sem um plano rigoroso de manutenção e uma fiscalização apertada, os 4,2 mil milhões de meticais investidos correm o risco de continuar a transformar-se em “sucata de luxo” estacionada nos parques das empresas municipais.
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