Cyril Ramaphosa recusa abandonar cargo e vai lutar na justiça

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O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, confirmou numa declaração à nação que não pretende renunciar à presidência. O anúncio surge num momento de grande pressão política, após o Tribunal Constitucional ter decidido na última sexta-feira, 8 de maio, que o Parlamento agiu de forma ilegal ao travar as investigações sobre o escândalo financeiro na sua fazenda privada.

A causa central desta crise, que ameaça o mandato do estadista, remonta ao caso Phala Phala, onde cerca de 580 mil dólares em espécie foram encontrados escondidos dentro de um sofá na sua propriedade. A oposição sul-africana acusa Ramaphosa de não ter declarado o valor às autoridades fiscais e de ter usado seguranças do Estado para perseguir os ladrões de forma ilegal em 2020.

Embora um painel independente tenha sugerido que o presidente pode ter violado a Constituição, Ramaphosa defende que o dinheiro é fruto da venda legal de búfalos. Segundo a SABC, o líder sul-africano descreveu o relatório que pede o seu afastamento como sendo “juridicamente falho” e prometeu contestar as conclusões nas instâncias superiores para provar a sua inocência.

Para Moçambique, a permanência de Ramaphosa é vista com atenção, dado o seu papel mediador em conflitos regionais e os acordos de segurança na fronteira. Sem a maioria absoluta que o seu partido (ANC) detinha no passado, Ramaphosa terá agora de enfrentar um novo comité de destituição no Parlamento, o que poderá paralisar algumas reformas económicas importantes no país vizinho.

A decisão de não renunciar foi recebida com indignação pelos partidos da oposição, como o EFF de Julius Malema, que já prometem levar o povo às ruas para exigir a saída imediata do governante. Enquanto isso, os aliados de Ramaphosa tentam ganhar tempo para reorganizar a base de apoio e evitar que o processo de impeachment avance nas próximas semanas.

Imagem: DR

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