O Campeonato Africano das Nações Marrocos 2025 ficará para sempre gravado como um dos momentos mais altos do futebol moçambicano.
Para além do desempenho histórico da Selecção Nacional, a prova marcou também o encerramento de um ciclo protagonizado por três das maiores referências dos Mambas nas últimas décadas: Dominguez Pelembe, Mexer Sitóe e Reinildo Mandava, que anunciaram a sua despedida da equipa nacional no final da competição.
A campanha no CAN 2025 foi, em vários aspectos, inédita. Moçambique entrou no torneio determinado a mudar o seu estatuto no futebol africano e conseguiu fazê-lo. Depois de uma estreia competitiva frente à Costa do Marfim, os Mambas escreveram uma das páginas mais marcantes da sua história ao derrotarem o Gabão por 3–2, naquela que foi a primeira vitória de sempre de Moçambique numa fase final do CAN. O triunfo abriu caminho à qualificação para os oitavos-de-final como um dos melhores terceiros classificados, um feito nunca antes alcançado pela Selecção Nacional.
Nos oitavos-de-final, Moçambique enfrentou a Nigéria, uma das selecções mais tituladas do continente, encerrando aí a sua participação, mas saindo da prova com reconhecimento, respeito e uma nova identidade competitiva.
Foi neste contexto histórico que Dominguez, Mexer e Reinildo comunicaram ao grupo o fim do seu percurso internacional, num momento de grande carga emocional vivido no balneário.
Dominguez Pelembe, médio ofensivo e capitão da equipa, actualmente ao serviço da UD Songo, encerra uma longa trajectória ao serviço da Selecção Nacional, onde foi símbolo de liderança, entrega e estabilidade emocional. A sua despedida foi marcada pelo silêncio e pela emoção, num gesto que traduziu anos de compromisso com a camisola dos Mambas.
Mexer Sitóe, defesa-central que actua no Ankara Keçiörengücü, da Turquia, confirmou que a decisão vinha a ser ponderada há algum tempo. Visivelmente emocionado, destacou a dimensão humana da Selecção Nacional na sua carreira: “Este foi o meu último jogo, a minha última campanha. A Selecção sempre foi uma terapia para mim. Agora é tempo de dar força aos mais novos”, afirmou, deixando ainda uma mensagem de união e responsabilidade para a nova geração.
Reinildo Mandava, lateral-esquerdo do Sunderland AFC, foi o primeiro a tomar a palavra perante o grupo. Referência desta geração e um dos jogadores moçambicanos mais reconhecidos internacionalmente, assumiu a despedida como um acto de amor e responsabilidade para com a Selecção Nacional, sublinhando o orgulho de representar o país e a necessidade de passar o testemunho aos mais jovens.
O seleccionador nacional, Chiquinho Conde, reconheceu a dimensão do momento, assumindo tratar-se de uma das fases mais difíceis do seu consulado. “É como perder um membro da família. Foram homens que marcaram profundamente este grupo, dentro e fora do campo”, afirmou, deixando palavras de reconhecimento e apelando aos jovens para preservarem o legado construído.
Também a Federação Moçambicana de Futebol reagiu com emoção. O vice-presidente, Paito Mucuana, destacou o orgulho nacional pelo percurso alcançado no CAN 2025, sublinhando que esta geração conseguiu feitos que escaparam a muitas outras ao longo da história.
Dominguez, Mexer e Reinildo despedem-se como símbolos de uma geração que mudou a narrativa do futebol moçambicano no continente africano. A sua saída representa o fim de um ciclo competitivo, mas também a consolidação de um legado feito de união, ambição e identidade. O CAN Marrocos 2025 fica como ponto de viragem. A história continua, agora nas mãos de uma nova geração de Mambas.
Imagens: FMF