O braço de ferro pelo título do Campeonato Africano das Nações (CAN) 2025 ganhou novos episódios de alta tensão esta semana. O Presidente da CAF, Patrice Motsepe, desembarcou em Dakar numa missão de emergência para conter a fúria das autoridades senegalesas, após a polémica decisão de retirar o troféu aos “Leões da Teranga” para entregá-lo a Marrocos na secretaria.
A visita de quarta-feira (8 de abril) não foi apenas uma cortesia desportiva. Motsepe reuniu-se com o Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, num ambiente marcado por pedidos formais de investigação por suspeitas de corrupção dentro da CAF.
Em conferência de imprensa, o líder do futebol africano afirmou que “receberia com agrado qualquer investigação”, tentando afastar a imagem de crise institucional.
Após Dakar, Motsepe segue para Rabat, tentando evitar que a disputa jurídica entre as duas potências do futebol africano fragilize a unidade do continente.
A confusão remonta à final de janeiro, onde o Senegal venceu em campo, mas foi posteriormente punido pela CAF com uma derrota por 3–0 (falta de comparência). O Comité de Apelo considerou que o abandono temporário do relvado pelos senegaleses — em protesto contra um penálti — constituiu uma violação grave dos regulamentos.
Neste momento, Marrocos foi declarado vencedor pela CAF, mas o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), em Lausanne, suspendeu a validação oficial.
O futebol africano vive um momento de incerteza jurídica. Enquanto o Senegal aguarda que o TAS anule a decisão da CAF, Marrocos mantém-se como “campeão administrativo”.
A decisão final do tribunal será o último capítulo desta saga que já ultrapassou as quatro linhas, tornando-se uma questão de Estado e de honra para ambos os países. Para o público moçambicano e africano em geral, fica o alerta: o campeão oficial do CAN 2025 pode ainda mudar no papel.
Imagem: CAF