“Não há lugar na África do Sul para a xenofobia” – Cyril Ramaphosa

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O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, reiterou, esta segunda-feira (11), que a xenofobia “não tem lugar” na África do Sul, o país que tem sido palco de protestos contra os imigrantes nos últimos tempos.

Em carta aberta publicada na segunda-feira, o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, disse que “os recentes protestos violentos e actos criminosos dirigidos contra estrangeiros em algumas partes do país não representam a opinião do povo sul-africano nem reflectem a política do Governo”.

“Devemos deixar claro que não há lugar na África do Sul para a xenofobia, mobilização étnica, intolerância ou violência”, sublinhou o Presidente que também menciona  a necessidade de “enfrentar o desafio da imigração ilegal, que ameaça a nossa estabilidade social, governação e segurança nacional” e “pressiona os serviços de saúde, habitação e municipais, particularmente nas comunidades desfavorecidas”.

De acordo com a RFI, a África do Sul tem registado manifestações e tensões sociais visando migrantes, sendo que, no início do mês, uma marcha contra a imigração culminou em ataques a negócios de estrangeiros na província do Cabo Oriental, este do país. Diversos países africanos, nomeadamente Moçambique, a Nigéria e o Gana, manifestaram recentemente preocupação com a segurança dos seus cidadãos residentes na África do Sul. O Governo nigeriano criticou Pretória, na semana passada, por não ter posto fim à perseguição de imigrantes e organizou voos de repatriamento de emergência para os seus cidadãos residentes na África do Sul. No final de Abril, o Gana também convocou o embaixador sul-africano devido a vários “incidentes xenófobos”.

Na semana passada, o Presidente moçambicano esteve na África do Sul para abordar soluções para uma “convivência pacífica” após acções xenófobas no país vizinho. Na véspera da viagem, a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana no Exterior, Maria Manso, fez uma conferência de imprensa sobre a situação dos emigrantes moçambicanos residentes na África do Sul e garantiu que o Governo moçambicano está a criar condições junto à fronteira de Ressano Garcia, principal ligação entre os dois países através da província de Maputo, para “acolher os compatriotas que, por razões de segurança, decidam regressar ao país”.

Moçambique tem 300 mil cidadãos residentes na vizinha África do Sul, segundo a governante moçambicana, que reconheceu que, “neste momento delicado, enfrentam terror, medo e incerteza”.

Também na semana passada, perante o Parlamento moçambicano, a primeira-ministra Benvinda Levi disse que “o Governo repudia e condena de forma veemente os ataques de xenofobia que estão a ocorrer no país vizinho, a África do Sul, contrariando os valores e espírito de tolerância e de convivência pacífica e harmoniosa entre irmãos do Continente Africano e da SADC”.

A África do Sul tem registado episódios recorrentes de violência xenófoba, com destaque para os incidentes de 2019, que causaram a morte de pelo menos 18 estrangeiros, segundo a Human Rights Watch.

 

(Foto DR)

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